17 de março de 2010

São Paulo é um estado cada vez melhor?

Charge de Arnaldo Martinez

Apesar de a classificação do Saresp ter sido habilmente alterada no intuito de inflar artificialmente as médias dos alunos, numa estratégia de maquiagem conhecida e praticada de longa data no nosso país, os resultados do Saresp 2009 constituem um bom índice da mentira que é a propaganda do governo José Serra. Mais da metade (58,3%) dos estudantes da terceira série do ensino médio da rede estadual de São Paulo têm desempenho em matemática considerado "insuficiente". O secretário Paulo Renato Souza culpou a formação deficitária dos 35 mil professores da área, que agora vão ficar de "recuperação", tendo de fazer um curso com duração de 240 horas, que será elaborado por professores da Secretaria e de universidades. Ué, mas se as universidades não tiveram condição de lhes dar uma formação sólida durante a graduação, como conseguirão fazê-lo agora por meio de teleaulas e internet? Sem pretender de maneira alguma desqualificar a educação a distância, é patente que ela exige empenho e dedicação muito maiores que os cursos presenciais. E os professores terão tempo e estímulo para isso? O secretário diz que o curso será ministrado no contraturno. Ah, bom, então tá. Assim, quem não tem a menor noção de como funciona a rotina de uma escola pode até acreditar na eficiência dessa solução... Pena que quem vive essa realidade cotidianamente já pode imaginar o transtorno que isso vai significar. Vai só uma dica: quantos professores lecionam num único turno?

Um comentário:

Alexandre disse...

Ilustres amigos!
Maurão e Arnaldinho. Não é fácil lidarmos com tanta mentira! Tudo é culpa dos professores.
Talvez o maior de todos os problemas é que os professores vêm enfrentando um défict de notoriedade em sala de aula, os alunos não se interessam por nada.
Ultimamente uma pergunta dos alunos vem que incomodando. Não consigo respondê-la e imagino que Freud está se remexendo no túmulo. Eis a pergunta, após passar uma questão aberta de Geografia: "prof. tem que pensar para responder?"
É mole ou quer mais.