8 de março de 2010

Ligue os Pontos


Professores reunidos em assembleia em frente à Secretaria Estadual de Educação na última sexta-feira decidiram entrar em greve a partir de hoje. A categoria reivindica 34,3% de aumento para todos os professores. José Serra propõe apenas incorporar ao salário-base a Gratificação por Atividade no Magistério, o que, nos cálculos da Apeoesp, redunda em pífios 0,27% de aumento para PEB I e 0,59% para os PEB II. Nisso consiste sua política de “valorização” do professor.
Serra insiste em se contrapor a toda e qualquer política federal que poderia render pontos para Dilma Roussef nas próximas eleições presidenciais. Recusa-se a aderir à Lei do Piso Salarial, alegando falta de verbas. Pois bem, agora bate o pé contra a PEC 300, projeto do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que propõe a equiparação dos vencimentos dos policiais dos 26 estados do Brasil aos do Distrito Federal. Detalhe: caberia à União, e não aos estados, arcar com a diferença, ou seja, os estados não gastariam absolutamente nada a mais para proporcionar salários dignos aos seus policiais. Qual será a desculpa do Serra dessa vez?
Enquanto isso, os alunos que concluíram o ensino médio no ano passado recuaram 4,4 pontos na escada de avaliação de rendimento do Saresp (269,4 contra 273,8 no ano anterior, numa escala de 0 a 500). A porcentagem de alunos que se enquadram no nível “insuficiente” subiu quatro pontos percentuais, de 54,3% para 58,3%. Leve-se em conta ainda que a classificação do Saresp foi modificada para elevar artificialmente as médias dos alunos. Até 2008, os alunos eram enquadrados em 4 conceitos: “abaixo do básico”, “básico”, “adequado” e “avançado”. Agora, “básico” e “adequado” foram fundidos num único conceito, “suficiente”, puxando a média para cima. “Se o modelo utilizado no ano passado fosse mantido, nenhuma das séries avaliadas teria superado o conceito básico” afirma Adriana Ferraz, do Agora.
Interessante que na grande mídia isso não ganhe tanto destaque quanto os dados nacionais, que também ficaram aquém do esperado. Em resumo, a meta para este ano era de 4% de analfabetos (continuamos com 10%), 10,7% de repetência (estacionamos em 13%) e 30% dos jovens no ensino superior (ainda não ultrapassamos os 13,7%). Aí é hora de vir ao ataque uma revista que dá mais profundidade ao Big Brother que ao escândalo do governador do distrito federal, mas cuja matéria de capa é uma denúncia requentada contra o atual tesoureiro do PT. A mencionada revista faz questão de enfatizar que o Plano Nacional de Educação, que estabelecia metas para a educação até o ano de 2010, foi formulado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e atribui o insucesso nessa área apenas ao atual governo federal, que não teria “feito a tarefa”. Não é mesmo muito estranho o silêncio com relação às mazelas do estado de São Paulo?

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