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18 de agosto de 2010

Analfabetismo Político

Geraldo Alckmin, como José Serra, gosta de brincar com números, principalmente quando se trata de índices facilmente maquiáveis, como os do Idébil e o do Sarampesp, e também gosta de usar números que, isoladamente, mostram uma "realidade" que é só deles. Por exemplo, que 45% dos transplantes do Brasil são feitos no estado de São Paulo. Isso significa, para ele, que a saúde pública está ótima em nosso estado. Desde 2004, São Paulo cresce mais que o PIB do Brasil. Isso significa que podemos pagar tranquilamente as altas tarifas dos pedágios, pois temos dinheiro de sobra! Lembrando que as empresas privadas que receberam as concessões do governo estadual lucram atualmente 3 vezes mais que os bancos! E temos as 10 melhores rodovias do país! Como se isso fosse graças ao modelo de concessões feitas em seu governo, quando na verdade os 23 bilhões investidos pela iniciativa privada foram apenas para recuperar, e não para construir, estradas que já existiam antes da dinastia tucana...
E que importância tem o fato de serem raros os alunos do Ensino Mérdio que conseguem ler e interpretar adequadamente um texto? O que importa é que nosso estado é o primeiro colocado no Idébil de 5ª a 8ª séries, o segundo de 1ª a 4ª e o terceiro no Ensino Mérdio! Isso é que é avanço, benza deus! Acho que ele esqueceu que o Brasil caiu 12 posições no último relatório da Unesco, e já somos o 88º dos 128 do ranking. Isso facilita um pouco as coisas, não? E ele ainda disse no debate que "nós vamos avançar MAIS"! Mais ainda, Geraldo?!! Por alguma razão isso me lembra aquela anedota em que o candidato diz do alto do palanque: "quando assumi a prefeitura desta cidade, estávamos a um passo do abismo, mas graças à minha gestão, conseguimos dar um passo à frente"...

Infelizmente, nosso estado continua revelando um dos piores índices de analfabetismo político: é a única explicação para tanta gente insistindo em votar em figuras como Geraldo Alckmin, José Serra e Orestes Quércia. Sinceramente, sou mais o Tiririca.

3 de abril de 2009

Há bônus que vêm para males



Finalmente saiu o tal bônus que todo mundo esperava para o final do ano passado. Agora todo mundo tá feliz, como já dizia Xuxa (que Deus a tenha). O valor pago pelo governo do estado varia, como todos já sabiam, em função dos índices obtidos no Idébil, mas na propaganda do governo (em que aparentemente se gasta mais do que com a folha de pagamento dos servidores) só se falará, naturalmente, dos valores mais altos.
O meu bônus foi de R$2.960,17, quase três dos meus salários. Mas, sinceramente, eu preferiria receber 245 reais a mais no salário mesmo, o que no meu caso equivaleria a um aumento em torno de 20% (justamente os 20% que a Secretaria tirou de nós no ano passado, no episódio do A.L.E.).
Concluo que não recebi nenhum bônus, mas apenas o estorno do dinheiro que o governo me roubou a um ano atrás. Sem falar que o bônus já é uma forma, inteligente, por sinal, de roubar os aposentados, já que tudo o que não incide no salário base não passa de subterfúgio para não remunerar decentemente os inativos. Muito bonito, seu Zé! Só não pense que vai comprar meu voto com isso.