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1 de novembro de 2010

Computador do Professor - Etapa 2



Já comentamos neste blog que o "computador do professor" tão gentilmente oferecido pelo governo estadual não compensa. Resolvi dar uma olhada em como anda a "etapa 2", e não encontrei nada muito diferente. Particularmente, procurei apenas pelo modelo de menor preço oferecido. O mais barato "computador do professor" custa R$ 1.299,00, e o governo se responsabiliza unicamente pelo pagamento dos juros e IOF cobrados para efeito de financiamento no Banco do Brasil (agora que a Caixa Nostra foi vendida pelo nosso Privatizador-Geral, felizmente derrotado no pleito). Trata-se de um Intelbras com Pentium Dual Core T4500, 2 GB de RAM e HD de 320 GB. Pois bem, bastou uma rápida pesquisa para encontrar no careiro Submarino um equipamento com praticamente as mesmas especificações técnicas (Itautec commesmo processador e HD, além de 1 GB a mais de RAM) por exatamente o mesmo preço, em até 12 vezes sem juros (até 15 vezes no cartão da loja, ou até 24 vezes com juros de 1,99% a.m.). Ah, sim, é uma promoção, o preço "normal" (deles...) é R$ 1.690,00. Mas essas promoções são frequentes. Acho que o governo de um estado como São Paulo, se quisesse mesmo, conseguiria algo melhor.
Não comparei outros modelos, mas se alguém se der a esse trabalho, fique à vontade para postar comentários.

25 de março de 2010

A greve dos professores é política?

Os que afirmam que a greve dos professores é política merecem uma resposta desse despretensioso blog. Em primeiro lugar, como diz Paulo Freire, que aliás faz parte da bibliografia exigida em todos os concursos para professor, não é possível existir sem assumir o direito e o dever de optar, decidir, lutar, enfim, de fazer política. Mas não é disso que se trata. Os que acusam a greve de ser "política" querem com isso dizer que ela atende apenas a interesses partidários. Mas essa afirmação, ela própria, não atende apenas a interesses tucanos?

Os tucanos pretendem desqualificar a greve, fingindo que não existem senão razões partidárias para a mobilização dos docentes. Para eles, nossas reivindicações são apenas invencionices de ano eleitoral. Contra essa mentira absurda não basta dizer que muitos dos grevistas não são petistas, ou sequer lulistas, pois aí poderiam me responder que eles estão sendo apenas “massa de manobra”. Não há dúvida de que quem deflagra uma greve é sempre um grupo pequeno de pessoas, geralmente bastante conscientes das suas consequências políticas. Mas a adesão em massa por parte de qualquer categoria só é possível se as condições de trabalho forem muito ruins para toda ela, pois todos conhecem as dificuldades de se deflagrar e de sustentar uma greve.

É óbvio que ao nos contrapormos às ações e à ideologia de um determinado grupo ou partido não estamos automaticamente “tomando o partido” dos seus adversários, a não ser por questões práticas (leia-se eleitorais). No caso em questão, a rejeição do tucanato paulista tende a nos conduzir à aprovação de algum dos seus rivais, seja o partido de maior expressão nacional da “esquerda light”, sejam outros mais radicais e literalmente “menos votados”. Mas isso não desqualifica o movimento. Pelo contrário, apenas mostra que também sabemos utilizar os instrumentos democráticos na nossa luta.

Agora, fazendo um balanço realista das políticas educacionais estaduais e as federais dos últimos anos, não me parece haver dúvida da superioridade das sancionadas pelo presidente Luís Inácio da Silva, vulgo Lula Lelé. Não foi ele, aliás, que aprovou uma tal de Lei do Piso Salarial? E quem é o maior detrator dessa lei senão José Serra? Também tenho minhas ressalvas quanto à nova função do ENEM, mas ninguém pode negar que ele, assim como o PRÓ-UNI, têm sido iniciativas das mais significativas já feitas no nosso país para os menos favorecidos. E sim, a última aplicação do ENEM foi um desastre, mas a falha foi na execução, e não na intenção; já a distribuição de um caderninho mal feito e cheio de falhas, no intuito de uniformizar o currículo e usurpar sorrateiramente a autonomia das escolas e dos professores, não é falha: é perversa (diga-se de passagem que Paulo Renato chegou a declarar que pretendia dar ênfase à diversificação do ensino médio…). O mesmo se diga da tal “valorização pelo mérito”. Ghiraldelli afirmou que ela é “boba”, porque ao invés de melhorar as condições de todos os professores, terá como resultado a desarticulação da categoria, pois só produzirá mais desigualdade. Sua análise é precisa, mas discordo que essa política seja “boba”. Muito pelo contrário, ela é muito é esperta e maquiavélica!

O governador, que vem sistematicamente usurpando da classe docente inúmeros direitos adquiridos (basta acompanhar este blog desde que foi criado, em 2008) afirma que os gastos (ele contabiliza como gasto, não como investimento) com a folha de pagamento da secretaria de educação subiram de 7,8 para 10,4 bilhões de reais (33% de aumento) de 2005 a 2009, mas não informa onde esses recursos foram alocados exatamente, já que aumento salarial real não chegou a 5%. Cadê a transparência?

Não sou lulista nem dilmista, mas diante do quadro exposto não é possível não ser anti-serrista.

20 de março de 2010

Serra, a greve continua e a culpa é toda sua

A greve continua, por decisão dos cerca de 60 mil professores presentes na manifestação de ontem na Av. Paulista (segundo a Apeoesp). A próxima assembleia será na próxima sexta-feira, dia 26, mas na terça-feira, dia 23, uma comissão deve ser recebida na Secretaria de Educação para um novo pedido de audiência com o secretário.
Alguns professores fizeram manifestação frente à Fatec (carregando faixas com dizeres como esse que serviu de título para esta postagem) contra o governador que finalmente admite faltar poucos dias para lançar sua candidatura à presidência da República (embora pouco depois tenha de novo negado ter feito essa declaração...). José Serra está como disse o Macaco Simão: o garçom pergunta "cafezinho com açúcar ou adoçante?" e ele responde: "preciso decidir agora?".
Mas dessa vez acho que ele não vai conseguir mijar pra trás: até a Veja já deu o alarme... O que facilita bastante as coisas para os eleitores: já sabemos quem eliminar de cara no "paredão".

Afinal, se para o PSDB os professores não significam nada, vamos dar o troco nas urnas!
Que todo professor deixe de votar no PSDB e serão 250 mil votos a menos. Se os simpatizantes de nossa causa, nossos familiares e os que são pró-educação nos apoiar, o PSDB deixará de ter no mínimo 1 milhão de votos em 2010.

Alguns motivos para não votar nesse partido (para falar apenas da educação):

Professores há 5 anos sem aumento;

Progressão continuada colaborando para que alunos cheguem ao final do ensino médio sem capacidade para exercer sua cidadania, pois que mal sabem ler e escrever;

Prova excludente que beneficia apenas 20% dos professores (não temos medo de ser avaliados com seriedade, mas não aceitamos uma prova para apenas 20% se promover. Prova que, por sinal, tem como eixo temático a filosofia pedagógica podre pregada pelo estado);

Sucateamento generalizado das escolas: sem bibliotecas, as salas de informática inoperantes, material didático limitador e mal elaborado, salas com 50 alunos etc.

Colaborou o prof. Alexandre de Freitas